terça-feira, 11 de março de 2008

Design

gato

baskerville, helvetica, garamond, bodoni



As letras que mais gosto dos tipos de letras mais famosos na área do design. :)

quinta-feira, 6 de março de 2008

Episódio XII - cidade portuguesa



Um quarteto de prédios brancos e gastos. Paredes sujas e derramadas. Construções antigas e paradas no tempo. Um pátio interior já conhecido de cor e salteado. Muitos segredos e brincadeiras infantis passaram pelo cimento envelhecido. Ainda se ouvem ecos dos gritos das crianças. Gritos de êxtase inocente e puro. Canteiros pendentes e tristes dão à luz flores garridas e contrastantes. Um dia acinzentado acompanha a melodia melodramática de uma leitura de um bom escritor português. Um daqueles conceituados, de voz de bagaço e grave que palavreia asneiras formosas, floreados líricos e retratos espampanante ao mesmo tempo que se ouve uma Guitarra de Coimbra.
Num andar, uma televisão antiga de cores retrógradas com interferências no meio relata um jogo de futebol e publicidades ridículas e tradicionais. Acima, no prédio ao lado a mulher de cabelo preto e curto e avental branco lava com afinco a loiça e a cozinha de azulejos azuis banhados por raios ocasionais amarelados. à sua esquerda a vizinha gorda e sorridente tagarela incessantemente das coscuvelhices do bairro, num à-vontade desconcertante com farinha até ao cotovelo no seu braço direito. Na esquina, uma outra senhora jovem, esta de cabelos castanhos e ondulados punha a sua roupa branca com cheiro a neoblanc que perfumava as janelas próximas enquanto meditava na sua simplicidade de vida. Em cima uma avó sorria a pensar nos seus rebentos mais jovens. No lado oposto, na sombra, uma mulher berrava, de tempos a tempos, aos seus filhos, recados da mercearia do lado, para terem cuidado nos passeios, não correrem e transpirarem demasiado e para não se sujarem, ao mesmo tempo que se benzia sorridentemente de lhe ter calhado a sorte de ter uns filhos assim, que chegam a casa sempre rosados e mal vestidos, pois na verdade adorava os seus comportamentos aparente e socialmente rebeldes.
O vizinho de cima, o gordo frustrado é de quem os miúdos têm medo. Refila com tudo e com nada. A sua insatisfação é permanente mas no entanto é o adorado por todos e o coração mole, assim como os velhotes do quarteto. Em baixo, a empregada do avental de padrão de florzinhas pequeninas cor-de-rosa atira energicamente o balde grande da lixívia com água para o cimento do pátio tão sabedor paralelamente à passagem de uma mulher muito fina e com ar simpático que vai ao talho que conhece ao virar da esquina desde pequenina pedir meio quilo de lombo de porco para fazer carne assada com batatinhas assadas e um arrozinho branco para amanhã se deliciarem com um bacalhauzinho cozido e azeito quente por cima.
A loiça da senhora de cabelo preto e curto ainda se ouve, ao mesmo tempo que pedacinhos de espuma saltam da janela da cozinha para fora, juntando-se mais tarde à espuma asfixiante da lixívia, aniquilando, talvez, o cheiro da roupa mais branca do bairro.
Por vezes o queixume do senhor gordo, outras vezes cascas de tremoços e caroços de azeitonas se vêm das janelas abertas e maioritariamente solarengas.
Uma rápida vista de olhos a este pátio tão bem conhecido e caracterizador pela última vez, acabando de novo na voz embargadora e viciante do escritor e poeta e da guitarra que tão melancolicamente acompanha este sonho tipicamente português...

quarta-feira, 5 de março de 2008

Episódio XI - Condicional

Se aparecesses cá em casa abrir-te-ia a porta. Especaria à tua frente e pasmava. Admiração não poderia ocultar mas não me dignava a sorrir. Diria Entra!, virava costas e vinha para o meu quarto. Sentar-me-ia na minha secretária à tua espera. Tu, sentar-te-ias na minha cama a olhar para mim. Não me interessaria minimamente pela tua vergonha ou desejo de falar. A verdade era que nada me dirias e o silêncio sufocar-te-ia e encher-te-ia as entranhas até te agoniares. O tempo passaria mas não iria sequer perder tempo contigo. A certa altura, por um pingo de pachorra e paciência levantar-me-ia e iria buscar comida para nós. Em monossílabas dir-te-ia para não te mexeres que iria buscar algo para comer. Depois de um passeio molengão traria hambúrgueres. Algo rápido, na esperança que não tardasse a conversa. A dado momento, depois de te atafulhares com o meu olhar fixo e sério tentarias arranjar coragem para relatar o que aconteceu. Não queria saber. Se o quisesses demonstrar, esforçar-te-ias para desabafares. Dar-te-ia uma almofada e uns cobertores em silêncio. No meu sétimo sono ainda olhavas para mim e para ti incrédulo. Na manhã seguinte arranjar-me-ia com toda a naturalidade e seguiria para as aulas satisfazendo a curiosidade dos amigos ao longo do caminho. Não me preocuparia mais contigo. Ao chegar esperaria não te ver mais até a uma necessidade de força maior. Contudo ver-me-ia enganada pois continuarias plantado na cama, de pernas cruzadas, à espera de algum tipo de consolo. Algo que não te poderia dar. Depois de um monólogo da tua parte, reagiria, sem saber como. Dir-te-ia para fazeres o mais correcto e o que achares melhor ou então ficaria calada. Eventualmente acabarias por partir. Fosse ou não, depois de uns possíveis bons momentos até uma nova visita causada por uma necessidade de força maior. Se aparecesses cá em casa não te abriria a porta. Se aparecesses cá em casa.... Se aparecesses.... Não apareces. (Já sei como é....)

domingo, 2 de março de 2008

Monotone



Antes de saíres para o trabalho, arrumas à pressa o dia anterior
Para debaixo da cama.
Guardas o coração ainda adormecido bem dentro do teu corpo

E esqueces essa canção que já não passa na rádio
Mas que vive secretamente dentro de ti.
Fechas a porta à chave com duas voltas e sais.

Os teus passos na escada fria soam ligeiros e apagam-se,
Perde-se o rasto, easy listening,
Guardas tudo para ti como um ex-dj...
Assim partes, quase a correr.

Parada junto à passadeira, protegida num gesto ledo
Fixas o olhar na sombra dos carros que passam.
Esperas pelo sábado,
Pelo feriado e as suas pontes,
Pelas férias para ouvires as tuas canções.
Sentes-te longe, silenciosa de luz.

A Naifa

sábado, 23 de fevereiro de 2008

duas semanas e uma conversa

Agulhas logo a seguir ao por do sol
num mar de rosas brancas.

feridas indispostas e
digestões preconceituosas
navegam em liberdade cautelosa.

Banhos de imersão e palavras sem sentido.

Vidas estafadas, atarefadas e espalhafatosas.

Inquéritos sobre alguém.
Uma identidade.
Um B.I.
Um telemóvel.
A nossa vida resume-se.

Serei uma analfabeta do futuro.
Por enquanto, safo-me bem no presente.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Chamo-lhe em pensamento:

(Sr.) Boi Negro

domingo, 10 de fevereiro de 2008

As ladras das 4



Parabéns! :)

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

sábado, 26 de janeiro de 2008

Episódio X - dez centímetros por quinze

Era uma fotografia. Daquelas que parecem estrelas de cinema num cartaz publicitário de um filme famoso. Uma comédia romântica. O casal olhava-se, cada um na sua margem da fotografia. Do papel mate de dez por quinze centímetros. Ela do lado esquerdo e ele do lado direito. Ele era mais alto por isso obrigava-a a erguer a cabeça.
Olhavam um para o outro com sorrisos bonitos. Com sorrisos colgate. Parecia que era muito felizes e feitos um para o outro. Construir uma casa, uma família, uma vida par. Uma vida comum. A dois.
No entanto a verdade encontrouva-se noutra forma.
Conheciam-se, era um facto. E sim, eram reais e andavam juntos num relacionamento enraizado de sorrisos perfeitos para a máquina que captava a imagem mas não a realidade.
Os olhares eram paralelos.
Ela olhava para cima mas não o via. Via o que estava por detrás dele e ele olhava em frente.
Embora fossem os obstáculos físicos dos seus olhares paralelos e antagónicos, ambos pretendiam simplesmente continuar a andar.
Depois de uma vista bem dada, a fotografia que captou o tão ideal, o tão perfeito casal de sorrisos bonitos e abertos mostrava as vontades dos próprios de se quererem livres, de quererem ser meras colagens daquela vida, daquele sonho idealizado e presunçoso, daquela fotografia tão falsa. Uma vontade de serem juntos, uma simples montagem.
A culpa não era dela.
A culpa não era dele.
Não lhes interessava a vida perfeita para já. Eram jovens demais para se comprometerem em tamanha ilusão.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Amelia - La La Human Steps




Um filme de Edouard Lock

"There is no hope for logic. If you try to count up with a logical reason then
you might as well forget it beacause it doesn't deal with any kind of namable,
measurable situation. All dimentions seems lost in the process. In other words,
you are really going from some place to some place, which is to say, nowhere in
particular. To be located between theese two points puts you in a position of
elsewhere, so there's no focus.
There is a suspention of destination."

Rosalind Krauss

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Hoje perdi a sensibilidade.
Numa questão de segundos, queimei-me e perdi a sensibilidade.
A dor ainda se prolongou, mesmo depois de bruscamente a tentar repelir.

Numa questão de segundos fiquei insensível e insensível continuarei até a queimadura passar.
Hoje perdi a sensibilidade.
Perdi a sensibilidade contra um tacho malfeitor
Um testo carente de mimo.
Fiquei dormente.
Perdi-a numa aposta com o alumínio.
A sensibilidade que o alumínio ganhou.
(Ainda) estou dormente (e triste. e só.)
Numa questão de segundos queimei-me.

Queimei-me
e
Agora tenho de esperar.
A sensibilidade voltará.
Um dia, deixarei de estar dormente e voltarei a sentir.
Mas agora
e por hoje
tenho de ficar calada e esperar
porque
numa questão de segundos, queimei-me e perdi a sensibilidade.

Como uma queda, um trambulhão.
A dor ainda se prolongou, mesmo depois de bruscamente a tentar repelir.
Hoje a sensibilidade perdi
e numa questão de segundos, insensível me tornei.

Mas isso tudo passará.
E um dia voltarei a sentir.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Episódio IX - Land Art & Body Art


O seu pé era bem definido. A pele já era escura, morena. Aquele tom castanho doirado causado pelo sol. Notava-se bem com o contraste da palma. Branca, rosada. Poisava no chão com determinação e força. Não vacilava, não tremia e impunha respeito. Os tendões ficavam bem à mostra. O tornozelo era magro mas não se duvidava da sua resistência. Cada movimento seu a definia. Cada gesto, o manusear das mãos, os movimentos dos pés, o balançar do corpo era uma declaração, uma afirmação, uma asserção. Era imperativa.
O seu cabelo era espesso, volumoso e negro como a pena de um corvo. Ondulado, ondulava misticamente ao sabor do ritmo. as mãos eram graciosas e bem constituídas. Eram como os pés mas de uma delicadeza superior. Emanavam gestos fluídos, gentis e suaves.
O corpo. A barriga, o ventre, o umbigo. Marcas da sua sensualidade.
Toda ela coberta de pulseiras artesanais e ligações à terra. Toda ela comunicava com a Natureza.
Cada vez que rodava sobre si fechava os olhos, abrindo-os depois, lentamente. Eram negros e sérios.
As suas vestes eram suficientes para o que ela esperava da vida. Não lhe interessavam os excessos.
Descalça, dançava em redor de uma fogueira.
A fogueira mal iluminava mas era suficiente para criar o ambiente.
Era uma névoa de ardor e desejo. De respeito e silêncio. De dedicação, comunicação e seriedade.
Um acto apaixonado de partilha e entrega à sua tribo.
O culto. A terra. As pessoas. As vestes. A fogueira. A névoa. A noite. A rapariga. As caras. O pó. Os incensos. Os batuques. Os silêncios. As posições. As expressões. O palpitar dos corações. A dança. O crepitar. O luar. O ritual. O respeito. A devoção. Os pés morenos e definidos. As pulseiras artesanais. A floresta. O mistério. O fim.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Promessas


Quem não as cumpre, sofe consequências.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

6.5 bilhões de pessoas.

Uma lágrima.

De quem será?

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Episódio VII - Finalizar


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Ela pega na mão dele e desata a correr.
Não param.
Sempre em frente.
Ele está espantado mas no entanto não diz uma palavra.
Enquanto corre observa-a, admirado, respeitando-a silenciosamente.

Os olhos dela brilham. Felicidade. (Será?)
Não creio que tratasse da felicidade dela.

Os passos são largos e levantam os pés bem alto para chegar mais rapidamente ao seu destino.

Ela sorria.
Estava determinada.
Era uma avenida inteira. Não se sabe por quanto tempo andaram a correr.

Era um dia de sol intenso.
Ela tinha uma camisola vermelha ligeiramente comprida no tronco, jeans e sapatilhas amarelas. Por cima usava um casaco, também comprido, preto, quente, de um corte que abre, sem fazer balão e um cachecol à volta da gola do casaco, pendente.
Ele vestia um blusão preto. Era pouco mais alto que ela. Também de jeans e sapatilhas pretas, só não se sabe o que usava por baixo. Fazia frio.

As faces estavam coradas.
Estavam confiantes.

Ainda agarrada ao pulso dele, ele ligeiramente atrás, a acompanhar o passo dela, corriam.

Chegando ao seu destino, ela sorri. Abraça-o com força e despede-se.
(ele observa-a da janela do compartimento.
Ele arranca.)
Ela suspira, realizada, na plataforma.
Vira as costas e vai-se embora.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Tupilak

Tupilak, o "fantasma nocivo" é uma bela escultura que os Inuit deitam fora juntamente com sentimentos de raiva que representa.

A natureza verdadeiramente efémera da arte e design Inuit (outra semelhança entre os Inuit e os Balineses) é melhor ilustrada através do tupilak que, segundo a tradição, é esculpido e deitado fora pelos Inuit da zona costeira da Gronelândia. Tupilak, que significa "fantasma nocivo" na maioria das línguas e dialectos dos Inuit canadianos, descreve as pequenas esculturas de marfim.
Encaixam-se facilmente na mão, como todas as verdadeiras esculturas Inuit, e faltando-lhe a base, não consegue ficar em pé "como deve ser".
A sua função era, originalmente, absorver todos os sentimentos e emoções más e violentas do escultor. Assim que ficavam pronttos e belamente rematados, o escultor atirava o tupilak para o mar ou para um richo, exteriozando e libertando a sua raiva e hostilidade, e deixando o escultor e a sua familia limpos de agressividade e ódio.
Recentemente, o Governo dinamarquês e as organizações turísticas da Gronelândia recolheram os tupilak como esculturas preciosas para os coleccionadores.
é irónico que a raiva e agressividade inuit sejam transformadas num produto que os turistas são incentivados a comprar.

Victor Papanek

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Gatos Pardos


À noite todos os gatos são pardos... ;)

domingo, 9 de dezembro de 2007

The Chariot

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This is a song that came upon me
One night
When the news it had been telling me
About one more war and one more fight
And 'aeh' I sighed but then
I thought about my friends
Then I wrote this declaration
Just in case the world end

Our guns
We shot them in the things we said
Ah we didn't need no bullets
Cos we rely on some words instead
Kill someone in argument
Outwit them with our brains
And we'd kill ourselves laughing
At the funny things we'd say

And bombs
We had them saved for special times
When the crew would call a shakedown
We break down a party landmine
Women that so sexy
They explode us with their looks
Ah we blowing up some speakers
Jumping round till the ground shook

And missiles
They were the roadtrips that we launched
T-t-tripping across this island
Starting missions at the break of dawn
Yawn and smile say
'what direction shall we take?'

'Somewhere where it warm and wet'
This be the route we'd always take and

Our weapons were our instruments
Made from timber and steel
We never yielded to conformity
But stood like kings
In a chariot that's riding on a
Record wheel

And our airforce flying
When the frisbee in the sky
Have a session while we're smoking
Now we're feeling extra high
And we'd sneak into a carpark
With the skaties on our back
And we're flying down the levels howling
'on the attack now on the attack'

And battles
They happened in these dancehalls
See we'd rather fight with music
Choosing one the rhythm war
Battle at these shakedowns
And we battle at these gigs
We do battle in our bedrooms
Made some sweet love to the beat

Then our allies grew
Wherever we would roam
See whenever we're together
Any stranger feel at home
In a way we are an army
But this army not destruct
No instead we're doing simple things
Good loving find it run amuck

This be a declaration
Written about my friends
It's engraved into this song
So they know I'm not forgetting them
See maybe if the world contained
More people like these
Then the news would not be telling me
About all that warfare endlessly and

Our weapons were our instruments
Made from timber and steel
We never yielded to conformity
But stood like kings
In a chariot that's riding on
A record wheel

The Cat Empire