sábado, 28 de julho de 2007

Un petit peu simple...



Ali estava eu: toda coberta de uma camada (ou várias) de sujidade. Sentia-me como que um ser humano instantâneo: à base de água e pó.
E enquanto procurava rede que nem uma dependente das tecnologias; apareceu.
Era pequenina mas dava bem para ver umas corezinhas.

Uma borboleta.

Não era mágica, nem tinha pós de prelimpimpim a construírem o seu vôo, nem era de cores vivas, alegres ou berrantes. Era uma simples borboleta em tons-terra.
Pairou un petit peu à minha frente até que finalmente assentou no meu pé.
Eu que há muito que queria ser escolhida por uma borboleta grande e azul e completamente irreal que poisasse na ponta do meu nariz. (E ter uma foto disso)

Não era uma grande borboleta azul nem poisou na pontinha do meu nariz de modo a que a pudesse ver com olhos bem abertos mas fui escolhida à mesma por uma muito melhor: simples.
Era simples e pequenina e não foi escolher o sítio mais bonito para se estar. Era um pé maquilhado de terra e pós e mais umas misturas naturais num chinelo flip-flop velho, gasto já com missangas perdidas pelo mundo fora.

E o nosso encontro foi espectacular. Nada como um bocado de companhia para nos sentirmos melhor. Foi uma reunião muda e simples. Não teve grande intensidade mas foi especial.

Depois do miminho dado investigou muito brevemente a pedra onde estava sentada, deu um beijinho à minha perna e disse-me adeus sobrevoando a minha cabeça, dirigindo-se para a minha esquerda, perdendo-se na vegetação.

sábado, 30 de junho de 2007

Episódio II: Dança das sementes


Estamos imóveis num recanto de um jardim mágico e mítico. É um espaço pequeno, rodeado de muros de pedra e terra, altos, recheados de pequenas aberturas por onde saem umas ervitas e de árvores solenes, silenciosas, pesadas de um verde escuro.
É tudo labiríntico e escondido.

Somos quatro e no entanto ninguém fala. Ficamos a olhar uns para os outros.
Está um dia meio enublado mas cheio de luz. Há bastante vento. Mas não arrepia, nem incomoda, nem se impõe.
O chão é de uma relva curtinha e verde, intercalada com uns toquezinhos castanhos da terra. É frio mas não está húmido, não arrepia e não incomoda.
Espalhado por todo o espaço existem inúmeros dentes-de-leão. Imensos, ínumeros, infinitos! Não deixam ver a relva e a terra que existe, transformando o chão em bolinhas macias e coloridas como o algodão. A terra deixa de ser verde e castanha e passa a ser amarela clara e rosa e cor-de-pele e cor-de-laranja e branca e azul claro e em outros tons pastel...

O tempo é esquisito.
Pelos ares vêem-se uns ao sabor da sorte, ao sabor do destino.

Continuamos sempre, os quatro, imóveis, olhando uns para os outros. Tinham chegado lá como que numa brincadeira, uma caça, uma apanhada, um desejo.

Somos duas raparigas e dois rapazes. Ambas de cabelo comprido e ambos de cabelo curto, mas não em demasia. Elas de branco e eles em tons castanhos. Elas baixas e eles altos, sem exceder o comprimento natural do ser humano. Todos descalços, a sentir cada fragmento da Natureza.
Uma fugia. Sou eu. Sem pressa. Sem saber. Passeava. Sou a mais alta das duas.
Outro seguia-me. (se era desejo de a surpreender, não cabe a mim decidi-lo.) Procurava-me numa calma frenética.
A outra dupla passeava em conjunto e a sós.
Encontram-se.
Mas a surpresa e o choque não existem. Ninguém ficou espantado nem admirados. Cada um permaneceu completamente sereno e nem por sombras que pairava desconforto ou rejeição.
Sorria muito ao de leve. Estava feliz pela outra. Esta, estava radiante, sem o demonstrar.
Eles, sentiam-se plenos. Partilhavam a tranquilidade geral.

Neste momento, o jardim mítico, labiríntico e misterioso tornara-se num descampado. As cores resplandeciam num brilho baço e triunfal. O sol transformara-se numa bola de dentes-de-leão em vários tons de amarelo, à espera que o vento disparasse, dispersando-o em inúmeras sementes flutuantes.

Planava no ar, gargalhadas distantes e genuínas. Um som que demonstra o passado.
Olhava o casal. A mais baixa olhava para a sua companheira, ora por contentamento, ora por euforia. Eles olhavam para ambas, ora ambiguamente, ora avidamente.
Ninguém mexia um músculo, ninguém pestanejava, ninguém cortava o silêncio, ninguém ousava. Apenas se viam sementes ocasionais de várias cores passar à frente uns dos outros. Culpa da brisa.

Agora, o vento agitou, esperneou, dançou, girou e rodopiou! Correntes em todas as direcções! Sementes por todo o lado! Para cima, para o lado, para o ar! Confusão, explosão de cores! O sol implodiu! A terra ergueu-se em sementes confusas e disparadas! Era magia! Era alegria! Era euforia ao máximo! Natureza no seu esplendor...

No entanto, ninguém se mexia. O vento despenteava-nos sem nunca quebrar os olhares trocados, a tensão, o clímax humano.
Olhava-os e sentia-me olhada. As sementes rodeavam-nos, tocava-nos suavemente na pele. Não havia reflexos.
Apenas a dança exótica e sem sentido das sementes em rumo incerto...
Ora cercavam os quatro ora aos casais...

Era uma maravilha... uma magia incerta, colorida, irreal e estonteante...

"E pintar com quantas cores o vento tem..."

sexta-feira, 29 de junho de 2007

quarta-feira, 27 de junho de 2007

I'd rather dance with you than talk with you



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I'd rather dance with you than talk with you
So why don't we just move into the other room
There's space for us to shake, and hey, I like this tune
Even if I could hear what you said
I doubt my reply would be interesting for you to hear
Because I haven't read a single book all year
And the only film I saw, I didn't like it at all
I'd rather dance,
I'd rather dance than talk with you
I'd rather dance,
I'd rather dance than talk with you
I'd rather dance,
I'd rather dance than talk with you
The music's too loud and the noise from the crowd
Increases the chance of misinterpretation
So let your hips do the talking
I'll make you laugh by acting like the guy who sings
And you'll make me smile by really getting into the swing
Getting into the swing, getting into the swing
Getting into the swing, getting into the swing
Getting into the swing, getting into the swing
Getting into the swing, getting into the swing...
(Getting to the swing...)
I'd rather dance,
I'd rather dance than talk with you
I'd rather dance,
I'd rather dance than talk with you
I'd rather dance,
I'd rather dance than talk with you
I'd rather dance,
I'd rather dance than talk with you
I'd rather dance with you
I'd rather dance with you
I'd rather dance with you
Kings of Convenience

domingo, 17 de junho de 2007

último dia de aulas


08.06.2007

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Liberdade

sinto-me a voar... e tu?

aterrei aos trambulhões...

mas voaste?


sim... devo dizer que agora estou de novo nas nuvens e não sei como descer... :/

sábado, 2 de junho de 2007

Caminho

Será o caminho em linha recta, o melhor?

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Espelho

Ela pensa que é feliz...
...viva...
...saudável...

No fundo, ela não sabe quem é...
...no que se tornou...
...nem no que se pode tornar.

Ela pode desaparecer...

Ela não quer ver e acha-se despreocupada...
Mas no fundo vive como uma abelha atarefada...
Ela põe tudo à sua frente...
...tudo à frente para não ter de ser ver...
...para não pensar em nela...

Ela rejeita a realidade, a vida, os amigos...
...tudo porque pensa ser feliz e viva e saudável...



...mas não é.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

La vie.


C'est trop vite! :)


quarta-feira, 23 de maio de 2007

Ela corre.




corre.
corre
Corre
Corre
CORRE.






Corre para se libertar.



Corre sem olhar para trás.

sábado, 19 de maio de 2007

Conto policial

Não!
Sim!

Não fez isso!
Fiz!

Quando?
Agora mesmo!

Onde?
No quarto.

Está morta?

Sim!

Porquê?!
Você sabe.

Não sei!
Sabe sim!

Infiel?

Sim.

Com quem?
Consigo.

Não!
Sim.

Ela não...
Fez sim.

Nós não...
Vocês, sim.

Sabia?
Sabia.

Há quanto tempo?
Bastante.

E agora?
Adivinhe.

Polícia?

Mais tarde.

Porquê?
Adivinhe outra vez.

Diga-me!

Olhe.

Oh, não!

Oh, sim!

Não pode fazer isso!

Posso!

Por favor!
Não suplique!

Perdoe-me!
Tarde de mais.

Santo Deus!
Adeus.
Telefonista.
Sim, senhor.
A polícia.

Guy Nedmon in 100 Contos Policiais.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

She's a woman

É uma mulher.

Não é uma criança,

Nem adolescente nem infantil nem velha demais!

É mulher!

E é para se dizer alto e bom som!

Para que todos o saibam!

É uma mulher!!

Com orgulho!

E levanta pesos, e faz musculação e vota e trabalha e trata das fraldas sujas das crianças que dá à luz!

E passa a ferro as camisas de trabalho do homem e as suas também!

É uma.

É ela.

É mulher.

É mulher!!!!!!

Chega!

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Passion

Com o olhar fixo e sedento fechou a porta com violência e com uma mão só. O estrondo foi seco e breve. Era um cubículo pequeno apenas com uma lâmpada pendente do tecto que abana ao mínimo toque. Olhavam-se muito seriamente. Ela com um vestido curto vermelho e sensual com uma alça já descaída no braço. Ele de chapéu cinzento, camisa branca com o colarinho desapertado e calças pretas. Os sapatos? Sabiam lá onde paravam!... talvez perdidos no chão do teatro... Num ápice, agarraram-se! Ele pegando-a pela coxa larga e macia e segurando o pescoço com os caracóis já meios desfeitos e ela, com uma mão no pescoço dele e com outra nas costas dele. A mão dele toca-lhe suavemente na perna. Sensualidade, excitação, desejo, ânsia, ardor, paixão! O cubículo parecia que tinha uma bomba-relógio emocional prestes a explodir. A celulite não o demovia. A pele dela era macia e branca. Ela esforçava-se para não ceder ao desejo. Agarrava cada vez mais o pescoço dele, o cabelo curto, o perfume de homem... AI! A Loucura! Arrancou-lhe o chapéu da cabeça. Pensou em mandá-lo ao ar mas pensou melhor. Pô-lo na sua cabeça e olhou-o sensualmente. Ele parou de a beijar para a olhar no seu esplendor. Era bela, mesmo não sendo uma super modelo, dentro deste cubículo onde a luz se mexe pela lâmpada que insiste em não parar quieta. Atacam-se ferozmente aos lábios um do outro. A bomba explodiu. As imperfeições não se notavam. Estavam cegos de excitação. E mesmo ali, em pé, no cubículo pequeno só com a lâmpada ele a possuiu. Penetrou-a com tanta força quanto amor ele nutria por ela. Onde está a vergonha nesta acção tão natural e própria do Homem? Porque inibirem-se? Para preconceitos e julgamentos já existe o mundo do outro lado de fora da porta do cubículo! Ali estava-se bem. Ficaram durante bastante tempo a saborear os cheiros característicos do acto, a saborear o momento, os miminhos... Ela com o chapéu dele na cabeça e ele com o baton dela nos seus lábios... No escuro ele murmura... Celui qui donne vite donne deux fois?

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Nouvelle Vague - The Killing Moon

Nouvelle Vague - T...

Under blue moon I saw you
So soon you’ll take me
Up in your arms
Too late to beg you or cancel it
Though I know it must be the killing time
Unwillingly mine

Fate
Up against your will
Through the thick and thin
He will wait until
You give yourself to him

In starlit nights I saw you
So cruelly you kissed me
Your lips a magic world
Your sky all hung with jewels
The killing moon
Will come too soon

Fate
Up against your will
Through the thick and thin
He will wait until
You give yourself to him

Fate
Up against your will
Through the thick and thin
He will wait until
You give yourself to him

Under blue moon I saw you
So soon you’ll take me
Up in your arms
Too late to beg you or cancel it
Though I know it must be the killing time
Unwillingly mine
Unwillingly mine



(Faz-me lembrar carroséis e circo, o símbolo do teatro e filmes mudos à moda antiga...)

terça-feira, 1 de maio de 2007

Lua Adversa

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...


Cecília Meireles

quarta-feira, 25 de abril de 2007

( R ) EVOLUÇÃO!


Liberdade: Não é só hoje. São e devem ser todos os dias!

domingo, 22 de abril de 2007

Res Públicas

Res públicas por outro Abril……. Paz, Pão, Habitação, Saúde, Educação…

Arruada do 25 de Abril:

Concentração no Jardim da Sereia – 14.00

Praça da República – Demontração de capoeira pelo “Grupo Muzenza”

Av. Sá da Bandeira

Jardim da Manga – Grupo de Jambés

Praça 8 de Maio – 1 elemento da “Camaleão” apresentam-nos poesia de intervenção

Em frente á camâra – Performance teatral pelos “É Só Fachada”

Rua Ferreira Borges – Actuação do “Círculo de inciação Teatral da Academia de Coimbra” (CITAC)

Arco de Almedina – Mùsica de intervenção com clarinete, guitarra, percurssão e voz

Largo da Portagem – Música do Grupo de percurssão “Rebimbomalho”

Parque da Cidade – Performance musical com sanfonas

Parque Verde – Final da Marcha com a presença da música do “Encerrado para Obras”


Café concerto


O Café concerto será realizado no Salão Brasil, a começar pels 21.30 H.

Contará com a presença de:

Preachy Boys (rock),

Mario Mata (música de intervenção a solo)

Mùsica de intervenção com clarinete, guitarra, percurssão e voz

Oficina de poesia

sábado, 21 de abril de 2007

Alien


This was a body
Now it's a home
For you, my little alien

I feel you moving
It's oh so strange
Do you like the music

Am I a happy home
What's it like in there
I'm a happy home
I hope it's cosy in there

If home's where the heart is
That's where you are
My heart is right there
So long I've waited to be quite so occupied
Mysterious being by you

And I'm a happy home
What's it like in there
Yeah I'm a happy home
I hope it's cosy in there

This was a body
Now it's a home
For you, my little alien

I feel you moving
It's oh so strange
Do you like the music

And I'm a happy home
What's it like in there
Yeah I'm a happy home
I hope it's cosy in there

Lamb

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Il pleut


Il pleut.

Chove.

Chove e troveja.
O tempo não é convidativo.

Chove.
Chove e quase que sentimos a Terra a mexer.
Quase que vemos cada gota de água a tocar no solo, a perfurar a terra, a humedecer.

Ouve-se.
Ouve-se o som da chuva.
Quase que se ouve cada gota de água a bater plingadamente no chão, nos guarda-chuvas, nas nossas cabeças.

Cheira-se.
Cheira-se o ar pesado, a terra húmida e o piso molhado.

Sente-se
Cada gota fria na cara, poças de águas, pés e pernas ensopadas, cabelos e roupas encharcadas.

Chove.
Chuva cinzenta.
Cinzenta, molhada, maldita!

0

It was a curse.
I was cursed...

They are all dead...
:'(




May all rest in peace...