fervo em electricidade estática.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
poder não ter de dizer nada
tenho um desejo. uma vontade enorme de cometer uma pequena loucura. qualquer coisa espontânea. sair daqui e fazer algo que normalmente não posso ou não consigo fazer. não planeado. não combinado. uma surpresa. algo inesperado. um reencontro. com um lugar. um lugar qualquer. uma viagem. por mais pequena que seja. uma liberdade sem muitas palavras. música para me acalmar a flor da pele. uma distracção fora do comum. mesmo que deitada.
quinta-feira, 12 de maio de 2011
ler isto
Estou a ler isto como se estivesse a ler alguém, alguém que escreveu isto. Sem me aperceber que na verdade, estou-me a ler a mim mesmo.
Estou sentado. Estou de pé. Estou a ler isto sem me aperceber que podia estar a aproveitar o dia.
Passo o dia em frente a este computador. A ler linhas e linhas de código, consciente que podia deixar tudo a perder e simplesmente sair do buraco onde me encontro agora e aproveitar o dia.
Podia fazer isto tudo, agora, neste segundo.
Mas não. Estou ainda sentado ou de pé a ler isto.
A sério.
O que é que estou aqui a fazer?
Vou-me embora.
Acabo de ver isto mais tarde.
Estou sentado. Estou de pé. Estou a ler isto sem me aperceber que podia estar a aproveitar o dia.
Passo o dia em frente a este computador. A ler linhas e linhas de código, consciente que podia deixar tudo a perder e simplesmente sair do buraco onde me encontro agora e aproveitar o dia.
Podia fazer isto tudo, agora, neste segundo.
Mas não. Estou ainda sentado ou de pé a ler isto.
A sério.
O que é que estou aqui a fazer?
Vou-me embora.
Acabo de ver isto mais tarde.
sexta-feira, 15 de abril de 2011
terça-feira, 12 de abril de 2011
sábado, 9 de abril de 2011
White Spaces | Paul Auster
[…] I remain in the room in which
I am writing this. I put one foot in front of the other. I put one word in front of the other, and for each step
I take I add another word, as if for each word to be spoken there were another space to be crossed,
a distance to be filled by my body
as it moves through this space. It is
a journey through space, even if I get nowhere, even if I end up in the same place I started. It is a journey through space, as if into many cities and out of them, as if across desert, as if to the edge of some imaginary ocean, where each thought drowns
in the relentless waves of the real.
I put one foot in front of the other, and then I put the other foot in front of the first, which has now become the other and which will again become the first. I walk within these four walls, and for as long as I am here I can go anywhere I like. I can go from one end of the room to the other and touch any of the four walls, or even all the walls, one after the other, exactly as I like. If the spirit moves me I can stand in the center, of the room. If the spirit moves me in another direction, I can stand in any one of the four corners. Sometimes
I touch one of those four corners and in this way bring myself into contact with two walls at the same time.
Now and then I let my eyes roam up to the ceiling, and when I am particularly exhausted by my efforts there is always the floor to welcome my body. The light, streaming through the windows, never casts the same shadow twice, and at any given moment I feel myself on the brink of discovering some terrible, unimagined truth. These are moments of great happiness for me. […]
in Selected Poems, London 1998
sexta-feira, 8 de abril de 2011
quarta-feira, 6 de abril de 2011
agradecer a um quem
"Saber datas é importante. Sabes sempre o dia certo de um momento, de uma acção ou de uma união com alguém. Sabes quando agradecer e a quem."
"A quem o dizes?"
"A quem tiver de o dizer. Há sempre a algo ou a alguém a quem podes agradecer."
"Como a Deus?"
"Por exemplo. Mas se não acreditas tens sempre a possibilidade de agradecer a quem faz parte de ti e do que é teu. Há sempre alguém disposto a ouvir e partilhar a mesma alegria e emoção contigo."
"E essas pessoas...sabem o que dizes?"
"Bem...sim, mesmo que não mo recitem nas palavras certas, sabem bem a mensagem"
"Como é que te ouvem?"
"Não é difícil... dizes baixinho como um segredo e eles ouvem com o coração. Mesmo que não estejam ao pé de ti. Sabe-se. Sente-se."
"Também tens pessoas que to digam a ti?"
"Sim, algumas. Mas das vezes que ouço faz-me sempre sorrir."
"A quem o dizes?"
"A quem tiver de o dizer. Há sempre a algo ou a alguém a quem podes agradecer."
"Como a Deus?"
"Por exemplo. Mas se não acreditas tens sempre a possibilidade de agradecer a quem faz parte de ti e do que é teu. Há sempre alguém disposto a ouvir e partilhar a mesma alegria e emoção contigo."
"E essas pessoas...sabem o que dizes?"
"Bem...sim, mesmo que não mo recitem nas palavras certas, sabem bem a mensagem"
"Como é que te ouvem?"
"Não é difícil... dizes baixinho como um segredo e eles ouvem com o coração. Mesmo que não estejam ao pé de ti. Sabe-se. Sente-se."
"Também tens pessoas que to digam a ti?"
"Sim, algumas. Mas das vezes que ouço faz-me sempre sorrir."
segunda-feira, 28 de março de 2011
Holístico
A single thread in a tapestry
though its color brightly shines
can never see its purpose
in the pattern of the grand design
domingo, 27 de março de 2011
terça-feira, 22 de março de 2011
óculos de sol
São óculos escuros
pretos
mas de lentes azuis.
É feltro e
aguarela
em papel branco macio.
É plástico e
cor
e ausência dela também.
são novos e
pops e
curiosos também.
são mil a neses.
pretos
mas de lentes azuis.
É feltro e
aguarela
em papel branco macio.
É plástico e
cor
e ausência dela também.
são novos e
pops e
curiosos também.
são mil a neses.
Unravel | Maria João e Mário Laginha
while you are away
my heart comes undone
slowly unravels
in a ball of yarn
the devil collects it
with a grin
our love
in a ball of yarn
he'll never return it
so when you come back
we'll have to make new love
sábado, 19 de março de 2011
sexta-feira, 18 de março de 2011
terça-feira, 15 de março de 2011
almost, i almost did see
yes, i saw it through a window
or on my desktop
a photo, on my laptop
a photo, i tell you
of a beautiful sunset
on a very common afternoon
a beautiful sunset,
in a beautiful somewhere,
a sunset yours too.
and when i was about to close my eyes
a trick was played my awful sight
it moved
moved, i tell you
i could almost see it moved
the sun was moving out of the sky
if it could only be proved
proved, i tell you...
segunda-feira, 14 de março de 2011
quarta-feira, 9 de março de 2011
coisas
Há coisas
muito duras de ouvir.
um silêncio faz-se
nem uma brisa passa por perto
gela-se.
Mas
por mais duras que sejam
e mais que custem a ouvir
não deixam de ser mais
ou menos
verdadeiras.
sexta-feira, 4 de março de 2011
bonança?
Não sabes?
Isto aqui é como as ondas... Está tudo calmo e depois um dia vem muito vento e o mar fica picado.
A areia rebola enfurecida. As rochas são bofeteadas dia e noite. Os animais... bem... esses por lá andam.
Todos lutam contra a força, contra a maré.
O resto já sabes: depois da tempestade vem a bonança. Tudo calmo, tudo limpo, tudo com um certo vazio... O mar não se mexe, deixa-se escorrer nas praias. A areia abate. A rochas respiram fundo e descansam. Uma certa solidão se faz sentir no areal, uma certa angústia de tanta passividade.
Dormem. Tudo dorme. Tudo, até que as ondas começam. e acordam. e picam. e moem. e batem. e revolvem e enfurecem e agitam outra vez.
Isto aqui é como as ondas... Está tudo calmo e depois um dia vem muito vento e o mar fica picado.
A areia rebola enfurecida. As rochas são bofeteadas dia e noite. Os animais... bem... esses por lá andam.
Todos lutam contra a força, contra a maré.
O resto já sabes: depois da tempestade vem a bonança. Tudo calmo, tudo limpo, tudo com um certo vazio... O mar não se mexe, deixa-se escorrer nas praias. A areia abate. A rochas respiram fundo e descansam. Uma certa solidão se faz sentir no areal, uma certa angústia de tanta passividade.
Dormem. Tudo dorme. Tudo, até que as ondas começam. e acordam. e picam. e moem. e batem. e revolvem e enfurecem e agitam outra vez.
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