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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

lado humano das coisas

De vez em quando
vou às gavetas perdidas da minha cabeça
procurar memórias e palavras escritas
e músicas que me levam a escrever.

Não sei o que é esta vontade de re-sentir o passado
mas está lá.

Vejo dias, finais de tarde, noites e amanheceres.
Vejo sentimentos, histórias e momentos.
Vejo pessoas, desabafos e banalidades de uma típica adolescente perdida.
Uma alma cheia de clichés a partilhar com o mundo.

Mas, por mais que sejam as emoções boas ou más
Fizeram parte da (minha) história.
Levo-as a todas comigo, 
e com um sorriso até.

Porque me fazem procurar aquele brilho que não existe a maior parte do tempo,
dos dias, dos anos;
E porque são das poucas alturas em que genuinamente procuro apenas ver o lado bom e positivo das coisas, das situações e até mesmo das pessoas.

De quando em vez
vou às gavetas não perdidas e bem presentes na minha cabeça
procurar o que já sei
e músicas que me levam a escrever

o lado humano das coisas.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

entre urros e gritos de uma multidão louca e desvairada

lá fora
javalis e babuínos
pelo eriçado
sangue na boca
urros e gritarias do demónio
mal se ouve o bater da porta
qualquer dia mandam-na a abaixo
trepam pelas grades
e enchem de eco a escadaria vazia.

cá dentro
ritmo lento.
gente decente.
bonecas brancas
maquilhagem de porcelana.
olhos abertos.
sossego. silêncio
demasiado tempo à espera.
o tac do relógio,
marcam horas (d)e vidas a passar
marca o compasso.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

meio comum

No meio 
de um meio 
de gente comum
o ponto de interesse está naquele
que é meio comum 
desse meio onde está.

malas fechadas.
rumo incerto.
baldios dourados.
vento ameno.
casa quente.
paz. sossego. descanso. retiro. 
inspiração. motivação. desejo. refúgio.
loucura. poder. sonho.
dormir. voar. respirar. pensar.
pausar.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010


Ela não sabia. Não sabe. Não sabe o que lhe espera.
Sentia-se perdida. Inconsolada. Vaga.
Vagueou em pensamento
Vagueou por aí até que.
Até que
até que...
parou e sentou-se. e poisou o seu peso dos ombros no chão.
viu-o
sentiu-o
fartou-se.
repugnava, quase.
e então pegou nele
para mais um caminho meio andando,
solidamente com as duas mãos.
Pausou. Respirou fundo.
Ela não sabia. Não sabe. Não sabe quanto tempo mais vai andar assim.
E foi aí que ergueu a cabeça.
E havia luz. E cor.
Sim, havia cor. Muita.
Ela era a preto e branco mas ali havia cor.
No fundo, há sempre cor.
Ela não sabia. Não sabe. Eu não sei
quanto tempo ali ficou.
quanto tempo ali fiquei.
Mais cedo ou mais tarde ela se levantou e saiu
ela e o seu peso porta fora.

domingo, 13 de junho de 2010

palavra

falta-me a poesia nas palavras.

na verdade nem me apetece falar.

sim.
se calhar é isso.
estão perras.

são as palavras
que foram feitas para serem ditas.
não saltam pela boca mas
escorregam pelos olhos.

são dessas.
palavras que ninguém quer ouvir.

são daquelas.
acompanhadas por ares serenos e pacientes.

são destas.
que não deixam a sós.
que não deixam ir.

que ficam.
em qualquer lugar.
da mente.


segunda-feira, 31 de maio de 2010

visão turva
não sei se de
sonhos vistos demasiadamente bem
ou do estado
não visível
em que estou.

há muita coisa dita
e não vista por muitos.

são enigmas
e respostas
no mesmo enunciado
com pouca claridade
se bem que
de luz não é
porque dessa há muita.

vivam os dias de sol.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

quase tudo

pauso.
tanta
tanta coisa para escrever.

uma barra vertical que pisca insistentemente para que escreva algo numa página em branco.
assim sendo

folha
olha.
marcador azul.
estás a ver?
mancha.
está a acontecer.
um pedaço de cinzento.
está?
uma nuvem.
sim.
é real.

uma janela num anoitecer à luz das velas.
pronto.

tudo dito

quinta-feira, 25 de março de 2010

cansaço

olhos
ardem-me os olhos
doem-me os olhos.

torturam-se.
raiam-se.
enraivecem-se.

sim, estou cansada.

mas não me ceguem com
fernandos
pessoas

nem bestas
nem animais.

remeto-me de novo
à minha (des)ilusão.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Hummm... .

Sim. Tudo calmo.

Estou sentada.
Está-se bem assim.
Relaxo.

Deixo a minha cabeça encostar para trás
de olhos fechados para não me distrair com nada mais.

Um som de água
no meio de uma floresta
e cheiro a pinheiro.
Era bom
sentir a erva húmida nas mãos que me apoiam.

espero que
as palavras jorrem de mim outra vez.

não gostei nada do vazio
que o silêncio criava dentro de mim.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

pensamentos da manhã

disputas felinas
barrigas que cucurrucam
palavras ocas

versos perdidos
no meio da manhã
e de lençóis

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

acostar

Um homem sabe bem
que mulher deve ter
e aquela que lhe convém.

Pensamentos banais.
Mundanos. Sorrisos. Pijama.

Não. Hoje não há música
Só os sons da realidade.
Despida.
Olha para mim.
Vê que engordei. Vê que não sou perfeita.
Eu sei que já o sabes.
Diz-me o que eu não vejo.
O bonito que é.

Sim
estou mais perfeitafiqueimaisforte.
Vê-me como sou.
Diz-me como é!

Sou uma mulher
Sim
Já sou uma mulher.
Uma criança. Menina.

Deixa-me em paz!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

03.01.2010

Bonito espelho, este Mondego…

As palavras escorrem em som manso e águas calmas.

Não limpam.

Não refrescam.

Não molham.

Já nem sei se espelham como se espalham...

Se calhar sou eu que… fora deste Mondego já me faz não existir…

O som que quero ouvir desta água não quer começar.

Está tudo entravado no meio de porquês.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Lisbon revisited (1926) | Álvaro de Campos

Nada me prende a nada.
Quero cinquenta coisas ao mesmo tempo.
Anseio com uma angústia de fome de carne
O que não sei que seja -
Definidamente pelo indefinido...
Durmo irrequieto, e vivo num sonhar irrequieto
De quem dorme irrequieto, metade a sonhar.

Fecharam-me todas as portas abstractas e necessárias.
Correram cortinas de todas as hipóteses que eu poderia ver da rua.
Não há na travessa achada o número da porta que me deram.

Acordei para a mesma vida para que tinha adormecido.
Até os meus exércitos sonhados sofreram derrota.
Até os meus sonhos se sentiram falsos ao serem sonhados.
Até a vida só desejada me farta - até essa vida...


terça-feira, 3 de novembro de 2009

poema bilingue

Siempre me quedo sola
pensando en ti.


Me quedo
Me sueño
Me salgo.

Pido por ti. Quedate
aqui.

te quiero.

um postal descai
preso por um pedaço de bostik.

não gosta.


chama

por uma mola.



sussurra




Me voy.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

tenho uma sopa de vagos e longínquos pensamentos

Uma daquelas sopas de massas,
com letrinhas
bem pequeninas
e espalhadas

e bem quentes.

Daquelas que fazem bem à alma.

São sopas que muito nos fazem escrever
com a colher
mas que não nos dizem nada.

Escorrega-nos
por todo o lado abaixo

E desfazem-se
ao mínimo toque mais agreste.


Sim, são frágeis
estas sopas.
Não se vá mexer com a colher
porque mais misturados
estes amanteigados pensamentos
não poderiam estar.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

melancolia

Acordei com a necessidade de te ver.
E por isso estou aqui.

Saudade.
Anos luz
e
velocidade.
En
ergia fren
ética
de
nostalgia.
Demasiado rápida para acompanhar.

É freguesa.
É verdadeira.
É portuguesa.
Tradicional por todo o mundo.

nosso.
Nosso meu.
Por hoje.
E apenas hoje.
(hoje
só.)
Ou um bocado de cada vez.

Nao se sabe
por cada;
por quanto,
quanto
tempo.
Perde-se.

Para os outros.
Com os outros.
Levam-na.
Que a levem
entao.

Que a leves.
Que a leves do meu coraçao.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Love and do what you will

Love
and do what you will;
if you keep silent,
keep silent in love;
if you discipline,
discipline with love;
if you forbear,
forbear with love;
let love's root be within you,
for from that root
nothing but goog can spring.
Ama
E fa'cio che vuoi;
se taci,
taci per amore;
se correggi,
se correggi per amore;
se perdoni,
`perdoni per amore;
abbi sempre in fondo del amore;
da questa radice
non possono che sorgere cose buone.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

de novo a velha sensação

De novo, a velha
ganância de escrever.

Como não ?
se sabe de quê,
fala-se do
tempo que faz.

Os ventos mudam,
quer se queira quer não.
Empurram.
São rajadas que
as voltas trocam...

Agora não há braços
que segurem.
um .
kit de mãos livres,
livres para poder ir.

De novo começo
um começo novo.

domingo, 23 de agosto de 2009

lanche da meia-noite

Como uns amores de amoras
com um amor-perfeito
ao peito.


para além
destas amoras
e
desta flor
,

Perfeito
é o meu amor

que levo aqui no peito.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Cabelos rolados
e
dedos enrugados
em noutros
emaranhados.
São novelos
estes cabelos.
Telenovelas pesadas
em
sonhos passados.
Pesadelos.
Vão.
Com os dedos.