Mostrar mensagens com a etiqueta A Naifa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta A Naifa. Mostrar todas as mensagens

domingo, 2 de março de 2008

Monotone



Antes de saíres para o trabalho, arrumas à pressa o dia anterior
Para debaixo da cama.
Guardas o coração ainda adormecido bem dentro do teu corpo

E esqueces essa canção que já não passa na rádio
Mas que vive secretamente dentro de ti.
Fechas a porta à chave com duas voltas e sais.

Os teus passos na escada fria soam ligeiros e apagam-se,
Perde-se o rasto, easy listening,
Guardas tudo para ti como um ex-dj...
Assim partes, quase a correr.

Parada junto à passadeira, protegida num gesto ledo
Fixas o olhar na sombra dos carros que passam.
Esperas pelo sábado,
Pelo feriado e as suas pontes,
Pelas férias para ouvires as tuas canções.
Sentes-te longe, silenciosa de luz.

A Naifa

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Perigo de Explosão

É melhor fechares os olhos,
meu amor,
antes
que o mundo inteiro seja um incêndio.

Os ventos todos fechados.
Os ventos todos fechados dentro da minha mão.
Quantos ciclones queres ?

Procurava
nos outros
a ternura,
mas só encontrava
poços cheios
de ódio
e nitroglicerina.

Aquele poema,
ao contrário dos outros,
tinha pólvora.
Só lhe faltava
o rastilho.

Éramos rebeldes por sistema,
a sonhar uma revoluçao por dia.
À tardinha,
na esplanada,
bebiamos um cocktail molotov.

O terrorista
apaixonado carregava,
às
escondidas,
uma bomba-relógio.
Era
no peito.
Era o
coração...